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Mulheres fortes: jornada múltipla e coragem para enfrentar o dia a dia

Muitas mulheres têm que enfrentar a jornada de cuidar do trabalho, da casa e de uma graduação. Por meio da história de vida de Eulina Pereira, iremos representar o dia a dia de tantas mulheres guerreiras que são desafiadas, mas conseguem superar os obstáculos com a certeza de terem dado os seus melhores
Por: Camilla de Assis 16/03/2017 - 08:00 - Atualizado em: 16/03/2017 - 08:14
Foto: Cortesia
Eulina é mãe de dois filhos, cuida da casa e estuda Administração na Faculdade Joaquim Nabuco
Força. Substantivo feminino definido como “estado de repouso ou movimento de um corpo” ou como a “robustez e o vigor físico”. Entretanto, força pode significar muito mais que apenas questões técnicas comprovadas cientificamente, como também um ímpeto interior que pode romper as barreiras das dificuldades.
 
Separada e com dois filhos sob sua guarda, Maria Eulina Pereira Barreto tinha um sonho: voltar a estudar. Ela até tentou concluir uma graduação, em Biologia, mas trancou no 4º período, assim que soube que estava grávida de sua primeira filha, hoje, uma mulher bem sucedida. Ainda com os filhos pequenos, a vida não era simples: tinha que trabalhar para garantir o sustento da menina e do menino, que têm cinco anos de diferença entre eles. 
 
Logo, Eulina conseguiu um emprego na área de atendimento em um hospital em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. A oportunidade de voltar às salas de aula veio de lá, quando uma amiga chamada Rafaela incentivou Eulina a tentar uma bolsa de estudos na Faculdade Joaquim Nabuco. Rafaela, que era colega de trabalho, argumentou as possibilidades de conciliar a família, as obrigações e outras atividades.
 
Após passar por todas as etapas e ser aprovada na instituição com uma bolsa de 50%, Eulina questionou sobre seu futuro profissional: “Será que terei condições de estudar até o final? Qual curso optar?”, relembrou. A incerteza foi verdadeira em relação aos próximos passos que daria na sua vida.
 
Mas, mesmo com as dúvidas, Eulina seguiu em frente e confirmou o que seu interior já sabia: o curso era Administração. “Trabalhei na área de atendimento a minha vida toda”, resgata. Assim que soube o que ia fazer e onde, o passo seguinte foi conversar com os filhos. “O apoio deles foi o que fez toda a diferença e eles concordaram em me ajudar no que fosse possível para que eu voltasse a estudar” rememora Eulina.
 
Estudante da unidade Olinda da Faculdade Joaquim Nabuco, Eulina escolheu o pólo pela proximidade da sua residência. Todos os dias ela vai andando para a aula, o que configura como sua “caminhada” diária, seu exercício físico. “Na época, consegui conciliar o horário da escola do meu filho com o horário da faculdade e cada semestre foi dando tudo certo”, conta a estudante de Administração.
 
Hoje, com os filhos crescidos - a menina tem 23 anos e o filho 18 - Eulina pode organizar seu dia a dia da forma que acha melhor, sozinha. A solidão, às vezes, a faz sentir falta de um companheiro, mas, como a própria salienta, quando pensa “nos amigos, família, igreja, vizinhos, cachorro, livros, cinema, filhos, música, casas e tantas outras outras coisas” esquece dessa parte. 
 
 
Agora, sua rotina é baseada em acordar às 5h para passear com o cachorro, chegar em casa e fazer algumas coisas simples, como lavar a louça ou algum pano que deixou de molho, tomar banho e ir para a faculdade. Em dia de plantão, sai de casa às 17h para chegar no trabalho às 18h e iniciar as atividades. “Rendo minha colega de trabalho no hospital, onde ela me passa todas as pendências para que eu dê continuidade”, explica Eulina. “No setor sou responsável pelas autorizações de internamento dos pacientes, seja cirurgia ou clínica, das autorizações dos exames e do que for necessário para que o processo seja concluído com sucesso”, completa. 
 
Mesmo passando a noite no hospital e largando às 6h do dia seguinte, Eulina não perde o pique na faculdade. Caminha na praia, vai para casa, toma banho e corre para os estudos. Chega na Nabuco por volta das 8h e sai às 11h10. Corre para casa, quando não tem nada para resolver, almoça, dorme e, quando acorda, vai estudar, fazer trabalho ou pesquisa, organiza a casa e faz o jantar dos filhos - uma das coisas que ela mais gosta de fazer: cozinhar para aqueles que serão eternamente seus pequenos.
 
Quando os três estão juntos, gostam de conversar, ver filmes, ou simplesmente ficar no mesmo ambiente. E graças ao apoio deles, Eulina conseguiu vencer as dificuldades de conciliar todas as atividades de uma jornada tripla. “Neste semestre terminarei minha graduação e é motivo de festejar e agradecer a Deus por me dar persistência. Benefício é a realização de mais um sonho e ver o orgulho dos meus filhos quando falam para seus amigos sobre mim. Agradeço muito a Deus e não me arrependo de nada”, arrebata Eulina, com a certeza que a graduação foi desafiante, porém prazerosa e recompensadora.
 
E aí, você também conhece uma mulher forte? Conta a história dela aqui!

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